O filme sul-coreano “Wild Sing”, protagonizado por Kang Dong-won, será adicionado ao catálogo da Netflix no dia 30 de julho. A chegada da comédia à plataforma ocorre cerca de dois meses após sua estreia nas salas de cinema, refletindo uma movimentação contínua na estratégia de distribuição do mercado audiovisual asiático.
O desempenho financeiro de Wild Sing
A produção contou com um investimento de 80 bilhões de wons. A trama acompanha a tentativa de retorno do grupo musical misto “Triangle”, que havia sido desfeito anteriormente. O elenco principal é formado por Kang Dong-won, Um Tae-goo, Park Ji-hyun e Oh Jung-se.
Apesar da repercussão inicial, o longa-metragem encerrou sua exibição nas bilheterias com 1,33 milhão de espectadores. O número ficou abaixo do ponto de equilíbrio financeiro do projeto, que era estimado em 2 milhões de ingressos vendidos.
A janela entre os cinemas e as plataformas digitais
A transferência rápida de filmes para o streaming após um desempenho comercial abaixo das projeções nos cinemas tem se consolidado como uma tendência no setor. As plataformas digitais acabam oferecendo uma nova janela de alcance para essas obras.
O filme “Humint”, que teve um orçamento de 23,5 bilhões de wons, chegou à Netflix pouco mais de dois meses após o seu lançamento e alcançou o primeiro lugar no ranking da plataforma. Já o longa “Bogotá: City of the Lost”, que registrou apenas 420 mil espectadores com um investimento de 12,5 bilhões de wons, estreou no streaming em um mês.
Outros exemplos da mesma prática incluem “Holy Night: Demon Hunters” (disponibilizado após dois meses) e “Love in the Big City” (após quatro meses). Em plataformas concorrentes, o título “No Choice”, que possuía expectativa de ultrapassar 10 milhões de espectadores, não superou a marca de 3 milhões e foi lançado na Coupang Play após quatro meses. Esse cenário tem motivado algumas produtoras a considerarem o lançamento direto no streaming, ignorando as bilheterias tradicionais.
O debate sobre a regulamentação do “holdback”
A concentração de lançamentos nas plataformas digitais em um curto espaço de tempo intensificou as discussões sobre o “holdback” — o período de exclusividade obrigatório entre a estreia de um filme no cinema e sua disponibilização no streaming.
A deputada Lim Oh-kyung, filiada ao Partido Democrático da Coreia, apresentou um projeto de lei com o objetivo de estabelecer esse intervalo em até seis meses. A proposta, no entanto, enfrenta resistência por parte das plataformas de streaming, que defendem uma estrutura de distribuição mais flexível e o acesso rápido para os espectadores. Produtoras e distribuidoras de filmes também demonstraram oposição à medida.
Para tratar o impasse, foi instituído um conselho composto por representantes do governo sul-coreano e do setor privado. A expectativa oficial é que um acordo sobre as regras de distribuição seja apresentado no próximo mês.

