Tem videoclipe que a gente termina lembrando do refrão. E tem aquele que deixa na cabeça uma cor, uma jaqueta, um penteado ou uma mudança de visual que parece dizer alguma coisa. No K-pop, o figurino costuma entrar em cena como mais do que decoração: ele ajuda a criar clima, separar personagens e marcar transformações.
A lista abaixo reúne cinco clipes em que vale assistir de novo prestando atenção nas roupas. Não existe uma explicação única para cada peça, e as relações entre visual e narrativa são leituras editoriais. O importante é observar como o figurino conversa com cenário, luz, coreografia e edição.
BLACKPINK — How You Like That
O clipe alterna opulência, contraste e atitude. Há momentos em que as integrantes aparecem com visuais que parecem feitos para dominar a cena, enquanto outras sequências apostam em texturas, acessórios e referências que aproximam o pop de uma imagem mais teatral.
A mudança constante reforça a sensação de recomeço e de presença — uma interpretação editorial que combina com a energia da faixa.
BTS — Blood Sweat & Tears
Em Blood Sweat & Tears, o figurino ajuda a construir uma atmosfera elegante e inquieta. Ternos, peças escuras, tecidos mais fluidos e imagens quase de galeria de arte fazem o vídeo parecer menos uma apresentação convencional e mais um espaço de tentação e conflito. Mesmo sem transformar o clipe em uma história literal, as roupas ajudam a manter a tensão no ar.
Stray Kids — MANIAC
MANIAC brinca com a ideia de normalidade virada do avesso. Os integrantes aparecem em ambientes cotidianos, mas a edição, o styling e os detalhes estranhos deixam tudo um pouco fora do lugar.
É justamente esse contraste que faz o figurino funcionar: a roupa parece familiar por um instante e, logo depois, passa a combinar com a sensação de caos controlado do vídeo.
aespa — Supernova
Supernova mergulha no futurismo do aespa com cores intensas, brilhos, recortes e imagens que parecem sair de uma tela digital. Os figurinos acompanham a mistura de universo cósmico e linguagem pop, criando uma aparência que não tenta ser realista.
Na leitura editorial, cada troca de visual ajuda a transformar as integrantes em versões diferentes de uma mesma explosão de energia.
TWICE — I CAN’T STOP ME
A estética retrô do clipe aparece em cores, iluminação, cenários e roupas que lembram uma pista de dança sofisticada. O styling não fica preso a uma única década, mas cria uma sensação de nostalgia pop. O resultado é interessante porque o figurino dá leveza à imagem enquanto a música fala de uma atração que parece difícil de controlar.
Assista aos cinco vídeos com o som ligado, mas sem olhar apenas para o centro da tela. Repare em quem muda de visual, que cor aparece nos momentos de maior intensidade e quando o figurino passa a combinar — ou a contrastar — com o cenário. Às vezes, a roupa não entrega uma resposta, mas muda completamente a pergunta que o clipe provoca.

