Há uma angústia que aparece cedo ou tarde: a de olhar para os próprios planos e imaginar que todos os outros receberam um mapa, menos você. Trinta, mas dezessete (Thirty But Seventeen) leva essa sensação ao extremo para depois devolvê-la em escala humana. Seo-ri acorda de um coma de 13 anos e descobre que, embora tenha 30, ainda carrega por dentro a adolescente que foi interrompida no caminho.
Vivida por Shin Hye-sun, Seo-ri conduz uma premissa que poderia virar apenas uma coleção de confusões engraçadas, e o dorama sabe aproveitar esse lado. O encanto, porém, está em não esquecer o tamanho da perda. Ela precisa aprender a lidar com um mundo que mudou sem ela, com sonhos que ficaram congelados e com uma autonomia que nunca teve oportunidade de experimentar.
Recomeçar sem fingir que nada aconteceu
Woo-jin, cenógrafo que vive preso a uma culpa antiga, entende esse tipo de paralisia de outro lugar. Ele não perdeu 13 anos literalmente, mas também construiu a vida tentando não chegar perto demais de ninguém.
Quando os dois se encontram, o dorama cria uma relação que não depende de respostas prontas. Eles avançam porque começam a encarar os traumas sem transformar a dor em sua única identidade.
Aqui, recomeçar não significa apagar o que doeu ou recuperar cada minuto perdido. Significa descobrir que ainda existe tempo para aprender, se apaixonar, mudar de ideia e até errar de um jeito novo. Esse é o ponto que torna a série mais honesta do que muitos romances sobre uma segunda chance.
O alívio de não precisar estar no mesmo ritmo dos outros
Mesmo quando a comédia aparece, Trinta, mas dezessete não ri da vulnerabilidade de Seo-ri. A narrativa deixa que ela seja curiosa, confusa e corajosa sem exigir que amadureça de uma vez. Aos poucos, a casa onde ela encontra abrigo também vira um espaço de convivência, afeto e pequenas conquistas que parecem enormes para quem passou tanto tempo sem poder escolher.
É um dorama para ver quando a comparação com a vida alheia começa a pesar. A série não promete que todo atraso vira vantagem, mas lembra que ninguém precisa justificar o próprio ritmo para merecer uma história bonita.
Onde assistir: Viki.

