Saudades de A Coroa Perfeita, veja 5 k-dramas de monarquia moderna para maratonar

Subgênero de história alternativa consolidou sucessos na TV sul-coreana ao imaginar a sobrevivência do império nos dias de hoje

A Última Imperatriz drama do kocowa
Uma atriz de musicais se torna repentinamente imperatriz e luta contra a corrupção da família real.

A história real da península coreana registrou o fim definitivo da Dinastia Joseon em 1910, após mais de cinco séculos de soberania, consolidando a transição para o modelo republicano moderno. No entanto, a ficção televisiva do país frequentemente brinca com uma especulação histórica sedutora: como seria a Coreia do Sul atual se a família real tivesse sobrevivido?

Com o encerramento do hit A Coroa Perfeita, estrelado por IU e Byeon Woo-seok, o interesse do público por esse universo palaciano contemporâneo disparou. Se você já está com saudades das intrigas palacianas, listamos cinco séries clássicas que fundamentaram o subgênero de monarquias modernas na televisão sul-coreana. Confira:

1. Princess Hours (2006)

Atores de Princess Hours caracterizados como membros da realeza jovem.
Baseada em um manhwa, série é considerada o marco zero da popularização do tema na TV (Créditos: MBC/Reprodução)

Exibida pela emissora MBC e baseada no manhwa Goong, a obra é o marco inicial deste subgênero. Diante da queda de prestígio da família real, a corte organiza o casamento por contrato do príncipe herdeiro Lee Shin com Shin Chae-kyeong, uma estudante de arte de perfil expansivo e totalmente comum. O enredo foca na difícil adaptação da jovem à rigorosa etiqueta imperial. A produção foi um sucesso absoluto, atingindo 28,3% de audiência e ajudando a impulsionar a Hallyu (Onda Coreana) pela Ásia.

2. Minha Princesa (2011)

Atores de Princess Hours caracterizados como membros da realeza jovem.
Baseada em um manhwa, série é considerada o marco zero da popularização do tema na TV (Créditos: MBC/Reprodução)

A série acompanha Lee Seol, uma universitária comum que descobre ser a bisneta de Sunjong, o último imperador da dinastia. O rígido diplomata Park Hae-young é designado para instruí-la nas funções oficiais. O roteiro se afasta da comédia pura ao introduzir um dilema político e financeiro pesado: a restauração da monarquia anularia o patrimônio bilionário herdado pela própria família do diplomata que a treina.

3. O Rei: Dois Corações (2012)

Atores principais de The King 2 Hearts vestindo fardas militares formais.
Trama mistura o peso da monarquia com as reais tensões diplomáticas e militares entre as duas Coreias (Créditos: MBC/Reprodução)

A obra utiliza o cenário da monarquia constitucional para abordar as tensões diplomáticas reais da península. Na trama, o rei sul-coreano propõe a criação de uma equipe militar conjunta com a Coreia do Norte. O príncipe herdeiro Lee Jae-ha, arrogante e desinteressado pela coroa, é forçado a integrar o treinamento, onde bate de frente com a instrutora de forças especiais norte-coreana Kim Hang-ah. Uma crise institucional obriga o príncipe a assumir o trono antes do previsto.

4. A Última Imperatriz (2018)

A atriz Jang Na-ra em cena tensa da série The Last Empress.
O tom leve dá lugar ao melodrama pesado e a um suspense palaciano focado em assassinatos (Créditos: SBS/Reprodução)

Fugindo do romance adolescente, esta narrativa adota o formato de melodrama e suspense criminal. Oh Sunny, uma atriz de teatro musical, casa-se com o imperador Lee Hyuk, cuja imagem pública benevolente esconde um comportamento letal e podres de Estado. Presa na corte, ela se alia a Na Wang-shik, um guarda-costas infiltrado no palácio para investigar o assassinato de sua mãe. O sucesso de audiência foi tão grande que a emissora estendeu a exibição original.

5. O Rei Eterno 2020

O ator Lee Min-ho.
Grande orçamento da produção introduziu o conceito de multiverso e portais dimensionais ao gênero (Créditos: SBS/Reprodução)

A produção de alto orçamento eleva o conceito introduzindo ficção científica e universos paralelos. A história divide-se entre o Império de Corea (uma monarquia constitucional moderna) e a República da Coreia (o nosso mundo real). O imperador Lee Gon (Lee Min-ho) cruza um portal interdimensional enquanto persegue seu tio, um golpista responsável pelo assassinato do antigo rei. No universo republicano, o monarca precisa da ajuda da detetive Jung Tae-eul (Kim Go-eun) para conter uma guerra silenciosa entre os dois mundos.

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A evolução da fórmula em A Coroa Perfeita

O subgênero provou sua durabilidade exatamente por expor o conflito de indivíduos dotados de privilégios institucionais, mas completamente limitados pela falta de autonomia pessoal.

A recém-concluída A Coroa Perfeita atualizou essa fórmula ao segmentar o poder contemporâneo em dois polos claros: o capital privado (representado pelo conglomerado Castle Group, de onde vem a protagonista de IU) e a autoridade simbólica tradicional (representada pelo príncipe de Byeon Woo-seok, que vivia aprisionado pelos protocolos).

O desfecho radical da série, optando pela abolição do regime em vez de sua manutenção romântica, sinaliza uma evolução madura de um roteiro que começou duas décadas atrás com adolescentes aprendendo a usar tiaras.

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