A Tailândia não para de lançar BL, mas de vez em quando aparece um que mexe com o público de um jeito diferente. Era Uma Vez Amor é o nome que está ocupando as timelines de quem acompanha o gênero. A série começou a ser exibida no final de março pelo canal Workpoint 23 e está disponível no iQIYI. Sem muito estardalhaço, foi ganhando espaço na base do boca a boca — e a premissa ajuda a entender por quê.
A trama joga Nakhun, um universitário de vinte anos completamente cético em relação a superstições e destino, direto no Reino de Ayutthaya, quase quatrocentos anos no passado. Tudo por causa de uma maré de azar absurda. Ele é confundido com Klao, um jovem desaparecido, e para sobreviver assume essa identidade — sem saber que Klao carregava a fama de filho de um traidor. Em meio a segredos e uma investigação que precisa conduzir em silêncio, ele cruza o olhar com Phop, um nobre que conhecia o verdadeiro Klao e que passa a vigiá-lo com uma atenção que logo vira outra coisa.
O casal principal é defendido por Net Siraphop e JJ Radchapon. Net faz a dualidade de Phop no passado e Tinnaphop no presente; JJ vive Klao e Nakhun. A parceria entre os dois é o que mais aparece nos comentários. No MyDramaList, um espectador resumiu: “NetJJ, mesmo sendo a primeira vez como protagonistas, me deu arrepios — a química é natural e eles são o exemplo perfeito disso.” Outro disse que os personagens “estão sempre em choque, mas sempre encontram um jeito de entender o coração um do outro.”

O cenário histórico também aparece como ponto forte. A reconstrução da era Ayutthaya não é só pano de fundo — a fotografia e a ambientação receberam elogios de fãs e críticos, mesmo entre quem acha o ritmo inicial um pouco lento. Em análise publicada pela The BL Xpress, a crítica apontou que, depois de uma abertura que tentava “contar demais com diálogos”, a trama engata quando Nakhun visita uma cartomante. A partir dali, o mistério e as conexões entre os personagens ganham corpo. O mesmo texto destaca a atuação de JJ nos momentos dramáticos: “Sempre que Nakhun fica sério, JJ realmente brilha.”
Outro ponto que está gerando conversa é o humor. Era Uma Vez Amor não se leva tão a sério. A confusão de Nakhun ao acordar no passado, a comunicação truncada e a insistência dele em achar que está num set de filmagem arrancam risadas. Um portal tailandês descreveu a estreia como “tão fofa que quando você vê, o episódio já acabou”. A comédia leve, porém, não anula os momentos de tensão — e é esse equilíbrio que tem fisgado espectadores que costumam torcer o nariz para romance histórico muito solene.
São doze episódios, um novo toda sexta-feira. A série já conquistou trending topics semanais em Singapura e na Malásia, e a pergunta que circula nos comentários é se Nakhun vai escolher voltar para casa ou ficar num passado que parece conhecê-lo melhor do que seu próprio presente.
Nem todo mundo está plenamente convencido. Uma parcela dos fãs sentiu falta de mais agilidade nos dois primeiros episódios. Mas a resposta mais frequente nos fóruns é um pedido por paciência: “A série ainda está construindo sua base; vale a pena dar tempo antes de julgar.” No MyDramaList, a nota está em 8.0 e o número de pessoas acompanhando já passa de dezoito mil — sinal de que a audiência está disposta a esperar.
Se você quer um BL que mistura viagem no tempo, romance que não se apressa e um visual caprichado com pitadas de humor, Era Uma Vez Amor merece um espaço na sua lista. Ainda é cedo para cravar até onde vai, mas a temperatura das redes e a entrega do elenco principal deixam claro que não é só mais uma produção qualquer.

