A indústria cinematográfica indiana encerra a narrativa iniciada em dezembro de 2025 com o lançamento de Dhurandhar A Vingança, que acaba de integrar o catálogo da Netflix. A produção, que se aproxima de quatro horas de duração, atua como a metade final de um arco focado em espionagem e ação que ultrapassa sete horas no total.
A compreensão plena do roteiro exige a visualização da primeira parte. Enquanto o longa original documentava a infiltração de um agente indiano no sistema paquistanês para contabilizar ataques contra a Índia, esta sequência concentra-se na retaliação direta e na execução estratégica de lideranças terroristas.
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Abaixo, os principais desdobramentos e características da produção.
1. Cenário geopolítico e conflitos de fronteira

Escrito e dirigido por Aditya Dhar, o roteiro inicia a partir das consequências da morte do antagonista Rahman. O vácuo de poder em Lyari e Karachi desencadeia disputas territoriais envolvendo grupos balúchis e pashtuns, agravando o atrito entre os movimentos separatistas e o governo paquistanês.
No plano macro, a narrativa documenta a atuação da agência de inteligência paquistanesa (ISI) no financiamento de redes terroristas, evidenciando o apoio logístico de infiltrados dentro da própria Índia. A mudança de governo indiano em 2014 é apresentada como o ponto de virada institucional que altera a doutrina de defesa do país, viabilizando as operações de retaliação que norteiam o filme.
2. A crise no Punjab e as dinâmicas de casta

A produção reserva espaço para subtramas que expõem questões sociais frequentemente ignoradas pelo cinema comercial. O destaque é a trajetória de Jaskirat Singh Rangi, um jovem sikh dalit que abandona sua preparação militar formal para atuar como rebelde após sua família ser destruída pela elite agrária local de uma aldeia no Punjab.
O roteiro também detalha as estruturas logísticas que converteram o Punjab em um polo de tráfico. A obra demonstra o modus operandi de redes criminosas que facilitam a entrada de armamentos, entorpecentes e moeda falsa na Índia, ressaltando o envolvimento de figuras influentes nesse esquema de corrupção.
3. Aspectos técnicos e desempenho do elenco

Do ponto de vista técnico, Dhurandhar – A Vingança mantém a sobriedade na execução fotográfica e na direção de arte. O ritmo da montagem impede o desgaste natural esperado em produções de longa duração, integrando locações e efeitos visuais a uma trilha sonora pontual.
O extenso elenco central atende à demanda tática do roteiro. Ranveer Singh, Sanjay Dutt, Arjun Rampal e R. Madhavan assumem os arcos principais com objetividade. O tempo de tela é bem distribuído, permitindo que Manav Gohil, Gaurav Gera, Danish Pandor e Sara Arjun concluam suas narrativas de apoio de maneira satisfatória, complementados pelas participações de Suvinder Vicky e Yami Gautam Dhar.
4. Ressalvas de roteiro e mensagem final
Apesar da consistência narrativa, o filme cede a excessos estruturais do gênero de ação. O uso ininterrupto de linguagem vulgar e o nível gráfico de violência poderiam ser atenuados sem prejuízo à história. Além disso, a montagem opta por estender duas grandes sequências de combate físico além do tempo necessário para a resolução da cena.
Ainda assim, a obra atinge seu objetivo prático. A direção tem o cuidado de reforçar, através dos diálogos, que o embate institucional ocorre contra as cúpulas terroristas e não contra a população civil do Paquistão. Em seu núcleo, Dhurandhar A Vingança funciona como uma documentação ficcional — e uma homenagem declarada — aos agentes anônimos que operam à margem do reconhecimento público em prol da segurança estatal.

