A história da colonização japonesa na Coreia permanece como uma questão política e social central na sociedade sul-coreana. Devido ao peso histórico, a descoberta de que familiares de figuras públicas participaram de atividades pró-Japão durante o período colonial rapidamente se torna alvo de escrutínio da mídia e do público.
O levantamento de registros do passado já colocou diferentes atores no centro de controvérsias que exigiram retratações oficiais.
A lista a seguir reúne três artistas sul-coreanos cujas trajetórias foram impactadas pela revelação do histórico de seus antepassados.
1. Ha Young

Em agosto de 2026, durante a promoção do dorama Um Grude de Amor no programa Problem Child in House, Ha Young declarou pertencer a uma família de médicos há quatro gerações. Ela mencionou que seu bisavô estudou medicina ocidental no Japão, abriu uma clínica em Seul e tratou o imperador Gojong. A imprensa, no entanto, identificou o homem como Ahn Sang Ho, registrado como membro do conselho da Daejong Chinmokhoe em 1916, entidade classificada como organização pró-Japão.
A BISTUS Entertainment, agência da atriz, negou inicialmente as acusações, mas recuou após verificar a existência dos registros históricos. Em resposta, Ha Young publicou um pedido de desculpas, assumindo a responsabilidade perante o público por ser descendente direta de Ahn Sang Ho.
2. Kang Dong Won

Em 2017, Kang Dong Won enfrentou um processo semelhante quando o nome de seu bisavô, Lee Jong Man, foi associado ao período colonial. Reportagens do Star News indicaram que Lee Jong Man consta no Pro-Japanese Biographical Dictionary, tendo acumulado riqueza por meio de mineração e prestado apoio financeiro às tropas japonesas da época.
Com a repercussão do caso, Kang Dong Won emitiu um pedido de desculpas formal e cancelou atividades promocionais, incluindo uma gravação relacionada ao filme Vanishing Time: A Boy Who Returned. O caso voltou a ser citado pela imprensa em 2026 durante a cobertura da controvérsia de Ha Young.
3. Lee Ji Ah

Em fevereiro de 2025, Lee Ji Ah se pronunciou sobre acusações envolvendo seu avô, Kim Soon Heung, apontado como colaborador pró-Japão. Conforme relatado pelo The Korea Times, a atriz afirmou ter tomado conhecimento das informações apenas em 2011. A partir dessa data, ela consultou documentos e visitou o National Studies Institute para checar os fatos.
Em sua declaração pública de desculpas, Lee Ji Ah explicou que desconhecia as atividades do avô durante a infância, ressaltando que ele faleceu quando ela tinha apenas dois anos de idade.
Os casos demonstram que o resgate de registros coloniais continua pautando a relação entre a mídia, o público e as agências de entretenimento na Coreia do Sul.

