Doramas coreanos de época costumam atrair a atenção do público, especialmente quando a história é inspirada em eventos e figuras reais. No entanto, o gênero é um terreno delicado para os cineastas: os internautas locais são conhecidos por valorizarem a história do país, e um pequeno erro na representação pode gerar grandes crises.
Recentemente, a série A Coroa Perfeita virou alvo de duras críticas por suposta distorção histórica perto do seu final. O caso reacendeu debates antigos e provou que a indústria já enfrentou cancelamentos e boicotes massivos sob acusações semelhantes.
Confira 5 doramas que despertaram a revolta do público sul-coreano:
1. A Coroa Perfeita (2026)

Sendo o caso mais recente da lista, A Coroa Perfeita recebeu críticas devido à cena de coroação do Príncipe Ian (Byeon Woo Seok). O público considerou o momento muito semelhante ao sistema da era Joseon em que a Coreia era um “Estado tributário” da China.
Os internautas apontaram erros específicos: o príncipe usou uma coroa de nove fileiras de contas (Guryumyeongwan), quando deveria usar uma de doze. Além disso, o parlamento gritou a palavra “Cheonse”, que reforça a impressão de era tributária, em vez do correto “Manse”.
A situação forçou um pedido de desculpas do diretor e dos atores. O caso escalou quando uma petição foi aberta na sexta-feira (22 de maio de 2026) exigindo a remoção do dorama das plataformas, acumulando mais de 31 mil assinaturas até o domingo seguinte (24 de maio de 2026).
2. Joseon Exorcist (2021)

Considerado o maior caso de controvérsia da indústria, o dorama estrelado por Jang Dong Yoon foi duramente criticado por exibir objetos, comidas, roupas e elementos culturais chineses inseridos em um cenário da Dinastia Joseon.
A ofensa piorou ao mostrar o Rei Taejong massacrando aldeões por causa de alucinações, o que foi considerado um desrespeito à memória do falecido rei. As consequências foram drásticas: uma petição de boicote reuniu mais de 216 mil assinaturas, obrigando a emissora SBS a cancelar o drama após a exibição de apenas dois episódios.
3. A Rainha ‘Woo’ (2024)

O dorama histórico (conhecido como sageuk) estrelado por Jeon Jong Seo e Ji Chang Wook foi alvo de protestos sob a acusação de modificar excessivamente fatos reais em prol do roteiro.
A indignação do público focou nos figurinos, acessórios e penteados, que deveriam refletir o Reino de Goguryeo, mas foram apontados como muito semelhantes aos da Dinastia Qin chinesa. A polêmica ganhou força por ter ocorrido em uma época em que as relações entre Coreia do Sul e China já estavam tensas devido a debates sobre a origem cultural do kimchi e do hanbok.
4. Mr. Queen (2020)

Apesar do enorme sucesso de audiência, Mr. Queen também enfrentou a fúria dos espectadores por distorcer a história de Joseon. A polêmica explodiu quando o roteiro se referiu aos Anais da Dinastia Joseon — um patrimônio cultural da Coreia do Sul e um legado da UNESCO — como um mero “tabloide”.
A situação se agravou pelo fato de a série ser uma adaptação do romance e web drama chinês Go Princess Go (2015). Descobriu-se que a autora da obra original já havia proferido insultos contra a Coreia do Sul, forçando o produtor do dorama a vir a público pedir desculpas por negligência.
5. Snowdrop (2021)

Diferente dos outros títulos, Snowdrop não é um drama histórico clássico. Estrelado por Jisoo (BLACKPINK) e Jung Hae In, a trama se passa em 1987, um dos períodos políticos mais sensíveis da Coreia do Sul, marcado por um governo militar autoritário.
A revolta ocorreu porque o protagonista foi retratado como um espião norte-coreano infiltrado no movimento estudantil. Nos anos 1980, o governo costumava usar exatamente essa acusação falsa contra ativistas pró-democracia para justificar prisões e torturas.
O drama foi acusado de romantizar um tema real e doloroso. A equipe de produção foi duramente criticada por falta de sensibilidade com as vítimas e famílias afetadas, precisando inclusive alterar o nome da personagem de Jisoo (de Eun Young Cho para Eun Young Ro), que era semelhante ao de uma ativista democrática real.

